Esse é um questionamento que
ouvimos quase que diariamente, tanto no consultório médico como fora do ambiente
hospitalar. Pacientes ansiosos porque alguém fez um comentário sobre um parente
com problema semelhante que precisou ser submetido a cirurgia nos olhos ou mesmo
porque o próprio paciente acha que ele tem uma catarata no olho.
Ao contrário da idéia de muitos, a catarata não é aquele
tecido que cresce por sobre a córnea e vai tampando a íris em direção à pupila,
relatada pela maioria como um "carne" que está crescendo no olho. Essa "carne"
ou tecido que cresce no olho recebe o nome de pterígio e não tem qualquer
relação com catarata.
A catarata se refere à opacificação do cristalino, a lente
natural que Deus colocou em nossos olhos para que as imagens em geral e as
letras desse texto, por exemplo, possam chegar na nossa retina, no fundo do
olho, com nitidez, bem focalizadas. O cristalino se opacifica naturalmente com a
idade e por isso a incidência de catarata em idosos é alta. Todavia, ela pode
occorrer por trauma, por causa de outras doenças no organismo, por uso de
medicação, por infecções ou mesmo sem causa definida em jovens. Existe também a
possibilidade do recém-nascido apresentar catarata congênita por alguma
intercorrência no período de gravidez.
A maior parte dos casos
operados, sem dúvida nenhuma, é de catarata senil, ou seja, em idosos. Às vezes
idosos jovens, entre 60 e 65 anos, já têm alguma diminuição de visão por causa
da opacificação do cristalino. Cabe ao médico oftalmologista orientar o paciente
quando será o melhor momento para se realizar a cirurgia, que consiste na
retirada do cristalino opacificado, substituindo-o por uma lente "artificial".
Atualmente, existe no mercado lentes intra-oculares multifocais que deixam o
paciente, no pós-operatório, com visão boa para perto e para longe.
Portanto, a cirurgia de
catarata, quando bem indicada e bem orientada, tem um alto índice de sucesso e
satisfação. No entanto, não podemos banalizá-la, pois consiste em um
procedimento extremamente delicado, por se tratar de uma cirurgia que invade o
interior do globo ocular e ali coloca uma nova lente, e de altíssima
responsabilidade para o médico, devendo indicá-la nos casos realmente
necessários e quando a relação custo/benefício for favorável ao paciente.
Leonardo Mariano Reis é médico oftalmologista CRM 9845, Conselheiro do CRM-GO
e Presidente do Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás.